Aluno x Estudante: Como a Neurociência pode ajudar a transformar alunos em estudantes

05 Setembro, 2016
Na maioria das salas de aula do Brasil e do mundo observamos nos últimos anos a presença maciça de pessoas biologicamente ativas ocupando carteiras, mas completamente desanimadas, desinteressadas, agitadas, muitas vezes irritadas e sem nenhuma perspectiva de futuro. Esse tipo de pessoa é o que considero Aluno. O aluno atual é uma pessoa ansiosa e completamente preocupada em terminar logo a escola, passar de semestre ou ano, e completamente obcecada por notas, não pelo conhecimento, ou seja, ele "estuda" para a prova e não para a vida. Já o Estudante é uma pessoa preocupada em ter cada vez mais conhecimentos para a vida, é um aluno consciente, e isso infelizmente é o objetivo de uma minoria dos alunos nas escolas e universidades do Brasil. Assim, transformar alunos em estudantes é uma tarefa essencial de todo professor/educador e a neurociência pode ajudar muito nesse contexto.
Os conceitos da neurociência vêm ajudando a aumentar a eficácia do processo de ensino. Mas é importante frisar primeiramente, que a Neurociência não tem como objetivo dar receitas prontas para a melhoria do ensino. Ela fornece informações sobre a organização do sistema nervoso, as bases dos processos de aprendizagem e memória desse incrível sistema e as descobertas que todos os dias são publicadas referente a área da Neuroeducação. Portanto, conhecer o funcionamento básico do cérebro pode ajudar no desenvolvimento de condutas mais eficazes em sala de aula, pois olhamos para o cérebro do aluno e como podemos estimular esse cérebro para que o rendimento aumente. Atualmente, a necessidade de ensinar com eficiencia, principalmete pela velocidade que o conhecimento se difunde, faz com que as abordagens neurocientíficas ganhem importância. Um exemplo, seria explorar o que o aluno tem de experiência na sua vida para, à partir disso, inserir novos conhecimentos. Dessa forma, dar uma aula fazendo links que se aproximam da realidade do aluno com os novos conhecimentos, facilitam a compreensão do aluno e ele automaticamente começa a se interessar mais pela aula e pelo estudo, pois vê um significado no aprendizado. O importante é fazer o aluno ver o conteúdo que se ensina de forma significativa. Muitas estratégias neurocientíficas se baseiam nisso.
O processo de aprendizagem basicamente utiliza três processos: repetir a informação, elaborar essa informação com conhecimentos já existentes e fixar essa informação. Dessa forma, transmitir o conteúdo de forma motivadora para o aluno, na qual ele veja a aplicabilidade da informação na sua vida/profissão e dar subsídios para a elaboração ou aprofundamento dessa informação pelos alunos é o primeiro grande passo. A fixação depende de outros pontos e deve sempre se destacar a importância de se dormir bem. O sono faz um papel importantíssimo nesse contexto.
As mudanças que deveriam ser adotados pelos professores que desejem utilizar os recursos da neurociência em suas aulas seria investir no estudo das bases neurológicas do aprendizado e da memória. Independentemente da área de atuação, os processos neuronais são os mesmos, o que muda é a forma como estimulamos nosso cérebro. Assim, todo professor deve primeiro ter a vontade de melhorar sempre a sua aula e claro melhorar o entendimento dos alunos para aumentar a motivação. A motivação é a base do aprendizado, e saber os processos neuronais ajudam na construção de estratégias motivacionais que auxiliarão na atenção, rendimento e aprendizagem.
Alexandre César Santos de Rezende
Biólogo graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, mestre e doutor em Morfofisiologia do Sistema Nervoso pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. De 2002 a 2009 desenvolveu projeto de pesquisa na área de Neurobiologia enfatizando o estudo da neuroregeneração em doenças neurodegenerativas e neurotraumas pelo Departamento de Fisiologia e Biofísica da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. Atualmente, é docente na área de Neurociência aplicada a Educação pela PUC-Campinas e pelo Instituto Brasileiro de Formação de Educadores (IBFE) e Neuromarketing pela INOVA Business School. Atua também como professor de Fisiologia, Biofísica, Histologia, Biologia Celular e Processo Ensino-Aprendizagem na Vida Universitária junto a Pontifícia Universidade Católica de Campinas. É professor de Ciências e Biologia desde 1998, no ensino Fundamental, Médio, Educação de Jovens e Adultos e Cursos Técnicos. Desde 2013 desenvolve na PUC-Campinas, Prática de Formação visando o estudo do cérebro na aprendizagem e memória, intitulada Neurociência e Educação. Realiza anualmente palestras, conferencias e oficinas sobre Neurociência e Educação em Escolas, Universidades e Congressos. É professor de Neurofisiologia no curso de Pós-Graduação em Neuropsicologia da Infância e da Adolescência junto a Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, desde 2014. Além disso, é o professor responsável dos cursos de extensão Mente, Cérebro e Envelhecimento e Neurociência e Qualidade de Vida junto a Universidade da Terceira Idade da PUC-Campinas, desde 2014.